Sobe número de crianças indígenas Yanomami com coqueluche em Boa Vista
Coqueluche mata 3 crianças na Terra Indígena Yanomami A Terra Indígena Yanomami enfrenta, desde o início deste ano, um surto de coqueluche. O número de cri...
Coqueluche mata 3 crianças na Terra Indígena Yanomami A Terra Indígena Yanomami enfrenta, desde o início deste ano, um surto de coqueluche. O número de crianças com a doença subiu para 14, segundo boletim epidemiológico do Hospital da Criança Santo Antônio. O Ministério da Saúde informou três mortes causadas pela doença. No entanto, a Urihi, associação indígena que atua na região de Surucucu, contesta o dado e afirma que, ao todo, cinco crianças morreram. Entre 1º de janeiro e 28 de fevereiro, três aguardam resultado e 20 foram confirmados em crianças — sendo 18 indígenas e duas não indígenas. A maioria dos casos confirmados foi registrado na região de Surucucu, do município de Alto Alegre, nas comunidades de Aracik, Sétimo Bis, Watho-u, Xiotho-u, Hewetheu, Napeta e Yarima. Nesta segunda-feira (9), Waihiri Hekurari, presidente da Urihi, esteve no hospital em busca de informações sobre a situação. Segundo ele, os relatos de Surucucu indicam que os indígenas pararam de procurar o hospital. "Então, graças à Omama, às nossas articulações e à nossa pressão com o Ministério da Saúde, a situação deu uma acalmada. Mas, mesmo assim, não podemos deixar de dizer que o que aconteceu é muito grave, é muito grave por conta da vacinação". Em fevereiro, o Ministério informou que "foram realizados 229 atendimentos, com mais de 70 indígenas vacinados". O g1 procurou o órgão para atualizar o número de vacinações na região e aguarda resposta. Criança indígena Yanomami internada nos hospital em Boa Vista Emmily Melo/Hutukara Associação Yanomami/Divulgação Crianças de outras comunidades O cenário apresentado no boletim mais recente é diferente do registrado em fevereiro. Nele, há crianças de outras regiões, como uma da comunidade Xahipiu, no município de Iracema. Outras duas são indígenas de nacionalidade venezuelana e três residem em Boa Vista — sendo que uma delas é indígena e vive em situação de rua. Além disso, a maior parte dos casos confirmados ocorreu em bebês menores de 1 ano, faixa etária mais vulnerável às complicações da coqueluche. 👉 A coqueluche, também conhecida como "tosse comprida", é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. Os sintomas são crises de tosse seca e intensa que podem levar ao vômito, sendo mais grave em bebês menores de seis meses, onde pode causar complicações sérias e, por vezes, a morte. A prevenção é feita principalmente pela vacinação. O número de crianças que permanecem internadas é de 17, cinco estão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Semi-intensiva, três estão no Trauma, e nove no Bloco Onça. Dos casos notificados até o momento, 30 já obtiveram alta, três evoluíram a óbito por coqueluche e um óbito por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). No dia 13 de fevereiro, a Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista, responsável pelo Hospital da Criança — unidade para onde as crianças indígenas são levadas quando estão em estado grave — emitiu alerta para que as equipes reforcem as medidas de vigilância epidemiológica nos serviços de saúde. Situação no hospital em Boa Vista Quando o quadro clínico se agrava no território, indígenas são removidos das comunidades para hospitais na capital. Esse é o caso das crianças atendidas no hospital da Criança. Em algumas situações, o primeiro atendimento ocorre no Centro de Referência de Saúde Indígena de Surucucu, unidade inaugurada em 2025 que atende 12 regiões e reúne quase 200 comunidades. LEIA TAMBÉM: Crianças morrem de coqueluche na Terra Yanomami e associação cobra ação do Ministério da Saúde O que é coqueluche? Aumento de casos da doença no Brasil e no mundo reforça importância da vacinação Terra Yanomami tem surto de coqueluche entre crianças e Saúde de Boa Vista emite alerta Terra Yanomami Lideranças denunciam garimpos ativos e falhas graves na saúde Yanomami Localizada no Amazonas e em Roraima, a Terra Indígena Yanomami tem quase 10 milhões de hectares. No território vivem mais de 31 mil indígenas, distribuídos em 370 comunidades. O povo Yanomami se divide em seis subgrupos linguísticos da mesma família: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma. O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, após a posse do presidente Lula (PT), iniciou ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e de cestas básicas, além do reforço das forças de segurança na região para frear o garimpo ilegal. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.