Pivô do escândalo do Master, Daniel Vorcaro ficará preso em cela de 6 m² de presídio de segurança máxima em Brasília
O pivô do escândalo do Banco Master, Daniel Vorcaro, já está na Penitenciária Federal de Brasília - é um presídio de segurança máxima. A transferênci...
O pivô do escândalo do Banco Master, Daniel Vorcaro, já está na Penitenciária Federal de Brasília - é um presídio de segurança máxima. A transferência de São Paulo mobilizou agentes da Polícia Penal Federal e foi autorizada pelo ministro do Supremo André Mendonça. O comboio, com forte esquema de segurança, saiu no fim da manhã e levou Daniel Vorcaro da Penitenciária II de Potim para o aeroporto de São José dos Campos. O dono do Master estava algemado e usava o uniforme da penitenciária: calça bege e camisa branca. Policiais penais federais levaram o banqueiro até o avião da PF já na pista do aeroporto. De São José dos Campos, Vorcaro seguiu para Brasília, onde desceu no hangar da Polícia Federal. De lá, o comboio levou o banqueiro para exames no Instituto Médico Legal da Polícia Civil. Depois, o banqueiro foi conduzido para a Penitenciária Federal de Brasília, a 20 km do centro da capital. No presídio de segurança máxima, o dono do Master usará outro uniforme: calça e blusa azuis. Vorcaro vai ficar ao menos 20 dias em uma cela de inclusão de 9 m². Depois, ele irá para uma cela que mede aproximadamente 6 m², com colchão sobre cama de concreto, sanitário, pia, chuveiro, mesa e assento. Não há tomadas elétricas. Ele ficará sozinho na cela, com direito a duas horas de banho de sol e seis refeições por dia. Daniel Vorcaro ficará preso em cela de 6 m² de presídio de segurança máxima em Brasília Jornal Nacional/ Reprodução O relator do caso Master, ministro André Mendonça, do STF - Supremo Tribunal Federal , autorizou a transferência a pedido da Polícia Federal, que alegou riscos de segurança pública em razão de Vorcaro ter grande capacidade de mobilizar redes de influência e de articulação com pessoas de prestígio no poder público e do setor privado. A PF também argumentou que a Penitenciária Federal em Brasília apresenta condições institucionais que permitem monitoramento mais próximo da execução da custódia, considerando a localização em relação aos órgãos responsáveis pela condução da investigação e pela supervisão judicial das medidas cautelares adotadas pelo STF - Supremo Tribunal Federal. Daniel Vorcaro ficará preso em cela de 6 m² de presídio de segurança máxima em Brasília Jornal Nacional/ Reprodução Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, quando tentava embarcar do aeroporto de Guarulhos para a Europa. Ele ficou na cadeia por 11 dias e saiu usando tornozeleira eletrônica. Na quarta-feira (4), voltou a ser preso e levado para o Centro de Detenção de Guarulhos, onde teve o cabelo cortado e a barba raspada. Na quinta-feira (5), foi transferido para a Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo, onde inicialmente cumpriria um isolamento de dez dias, um procedimento padrão de quem é levado para o presídio. O cabelo dele foi cortado mais uma vez. A Segunda Turma do STF - Supremo Tribunal Federal vai analisar na semana que vem a decisão de André Mendonça que determinou a prisão preventiva de Vorcaro e dos outros alvos da operação. Entre eles, o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, que continua na Penitenciária de Potim. Segundo a PF, ele era o responsável por organizar o fluxo financeiro do esquema ilegal montado para intimidar e vigiar adversários de Vorcaro. Daniel Vorcaro ficará preso em cela de 6 m² de presídio de segurança máxima em Brasília Jornal Nacional/ Reprodução Nesta sexta-feira (6), o ministro André Mendonça determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar o vazamento do material obtido com a quebra de sigilo de Daniel Vorcaro. A decisão foi tomada após pedido apresentado pela defesa do banqueiro. No documento, o ministro afirmou que cabe à autoridade que recebeu a informação de acesso restrito a responsabilidade pela manutenção do sigilo, isso porque a eventual quebra de sigilo não tornam públicas as informações acessadas. Na decisão, André Mendonça também destacou o direito da imprensa de informar: "O procedimento apuratório deve ter como hipótese investigativa a eventual identificação daqueles que teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram, e não daqueles que, no legítimo exercício da fundamental profissão jornalística, obtiveram o acesso indireto às informações que, pela sua natureza íntima, não deveriam ter sido publicizadas”. O ministro defendeu "o relevantíssimo papel desempenhado pela imprensa, instituição essencial à constituição de qualquer modelo de organização estatal que se pretenda estruturada a partir dos ideais democráticos e republicanos". Em nota, a Polícia Federal afirmou: "Nenhum relatório, informação de polícia judiciária ou representação apresentada pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, conteve dados que não fossem relevantes para a instrução das investigações. Não foram incluídas, portanto, informações relacionadas à intimidade ou à vida privada dos investigados”. De acordo com a nota, não compete à Polícia Federal editar conversas, selecionar ou manipular dados extraídos de equipamentos apreendidos, sob pena, inclusive, de violação ao direito ao contraditório e à ampla defesa, constitucionalmente assegurados. A defesa de Daniel Vorcaro manifestou indignação e surpresa com a divulgação de fotos dele dentro da unidade prisional. Declarou que acredita no respeito à integridade daqueles que estão submetidos à custódia do Estado. A defesa de Fabiano Zettel negou as acusações e disse que ele está à disposição das autoridades. PGR O procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou ao STF - Supremo Tribunal Federal uma petição reagindo às críticas do ministro André Mendonça. Na quarta-feira (4), ao autorizar a terceira fase da Operação Compliance Zero, Mendonça afirmou que a PGR queria mais prazo para se manifestar sobre o caso, o que, segundo Mendonça, poderia colocar em risco a segurança de vítimas dos ilícitos, além de dificultar a recuperação dos ativos bilionários desviados pelo esquema. Nesta sexta-feira (6), Gonet disse que o tempo concedido para avaliar as medidas era insuficiente e destacou que os autos têm mais de 2 mil páginas. Gonet afirmou também que ele não tem a opção de ser “imponderado” em suas manifestações, especialmente “nas que possuem o maior potencial de impacto sobre direitos fundamentais, como são as medidas de ordem penal, aí se incluindo a de prisão". O procurador-geral citou a tentativa de suicídio de um dos presos na operação de quarta-feira (4), Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, como demonstração do impacto da adoção de certas medidas cautelares. LEIA TAMBÉM Fotos mostram Daniel Vorcaro após prisão Escândalo do Master: mensagens de Vorcaro a Moraes arrastam o STF de volta para centro da crise Toffoli não teve acesso ao material da quebra de sigilo de Vorcaro enquanto era relator do Master, diz gabinete Como imprensa internacional noticiou prisão de Vorcaro e reviravolta no caso Master: 'toque de violência ao escândalo'