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Joyce Moreno doma o ritmo da 'hard bossa' no álbum 'Never too soon'

Joyce Moreno lança o álbum 'Never too soon' na sexta-feira, 30 de outubro, com nove faixas produzidas pela artista com Tutty Moreno Elisa Maciel / Divulgação ♫ ...

Joyce Moreno doma o ritmo da 'hard bossa' no álbum 'Never too soon'
Joyce Moreno doma o ritmo da 'hard bossa' no álbum 'Never too soon' (Foto: Reprodução)


Joyce Moreno lança o álbum 'Never too soon' na sexta-feira, 30 de outubro, com nove faixas produzidas pela artista com Tutty Moreno Elisa Maciel / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: “Never too soon” Artista: Joyce Moreno Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ “É, respira fundo, meu bem / Segura o samba / ... / E, no mais, estamos aí / Quem sabe a febre tem cura?”, projeta Joyce Moreno em versos do samba “Respira fundo”, uma das nove músicas de “Never too soon”, o álbum que a cantora, compositora e excepcional violonista carioca lançará na sexta-feira, 30 de outubro. Após a autora fazer prognósticos sombrios na letra, o samba se abre após os dois minutos iniciais e deixa entrar o sol da esperança no futuro e na vida, simbolizado pelas vozes do coro formado pela filha da artista, Ana Martins, com os netos de Joyce, Miguel Martins e Tom Andrade. Ao lado de “Não à toa”, afro-samba que abre o disco em tons graves, o samba “Respira fundo” sobressai na safra essencialmente inédita e autoral do álbum “Never too soon”. Editado também em LP e CD, o álbum “Never too soon” é mais um coeso título da discografia lançada por Joyce Moreno pela gravadora inglesa Far Out Recordings, em parceria iniciada há 27 anos com a edição do álbum “Hard bossa” em 1999. Em “Never too soon”, disco gravado no Rio de Janeiro (RJ) com produção musical orquestrada pela própria Joyce Moreno com o baterista Tutty Moreno, parceiro de vida e música, a artista recai na swingueira com frescor. Tudo soa novo de novo, ainda que um samba-jazz como “Chovendo na Horta (For my brother Toninho)” – composto por Joyce sem letra em homenagem ao compositor e guitarrista mineiro Toninho Horta, que toca na faixa – possa figurar em qualquer disco lançado por Joyce Moreno nos últimos 30 anos. Aliás, é sintomático que o repertório de “Never too soon” inclua regravação de “Aldeia de Ogum”, música lançada por Joyce no emblemático álbum “Feminina” (1980) e reprocessada por DJs nas pistas europeias dos anos 1990, em movimento que abriu as portas do mercado europeu para a artista brasileira, vítima de boicote das gravadoras brasileiras na maior parte década de 1980 por ter enfrentado poderosos chefões da indústria do disco. “Aldeia de Ogum” reaparece no álbum “Never too soon” bafejada pelos sopros orquestrados por Nailor Proveta, clarinetista que também arranjou os metais da aliciante abordagem de “Beija-me” (Roberto Martins e Mário Rossi, 1943), samba lançado há 83 anos na voz do cantor Cyro Monteiro (1913 – 1973), um dos reis do balanço nacional. A regravação de “Beija-me” faz sentido porque, em essência, “Never too soon” é um disco de balanço, de groove. O ritmo pode vir mais calmo – como na quase melancólica “Saudade”, tema ambientado em atmosfera evocativa da bossa nova e cuja letra se resume à repetição do verso-título “Saudade”, palavra existente somente na língua portuguesa – ou quase sempre mais frenético, como no afro-samba-jazz que dá título ao álbum, “Never too soon”, cantado em inglês, idioma bissexto na discografia de Joyce Moreno. Em qualquer andamento, a artista se mostra senhora do ritmo. Domadora do ritmo no toque do violão que encantava mestres como Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994), Joyce se afina como cantora e instrumentista em total sintonia com a banda-base do álbum, formada pela artista com Tutty Moreno (bateria em todas as faixas e percussão em “Luanda”, tema sem letra, levado pela cantora nos vocalizes), Jorge Helder (baixo acústico e baixo elétrico), Lula Galvão (violão e guitarra) e Marcos Nimrichter (Fender Rhodes e teclados). Quando chega ao fim com “4:08”, canção composta em inglês e pontuada na gravação pelo sopro do trompete de José Arimatéa, o álbum “Never too soon” reitera que a hard bossa de Joyce Moreno continua nova porque a artista sabe segurar o samba-jazz em qualquer conjuntura musical e social. Capa do álbum 'Never too soon', de Joyce Moreno Elisa Maciel