De máquinas agrícolas à cadeia do etanol: como interior de SP pode ser impactado com nova tarifa dos EUA
Como interior de SP pode ser impactado com nova tarifa dos EUA O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Piracicaba, Salt...
Como interior de SP pode ser impactado com nova tarifa dos EUA O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi) demonstrou, nesta quinta-feira (16), preocupação com a tarifa extra de 25% que os Estados Unidos vão aplicar sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho. Segundo a entidade, a medida deve afetar a economia da região de Piracicaba (SP) ao atingir itens estratégicos como etanol e máquinas agrícolas. A região é um dos principais polos do país na produção de máquinas, equipamentos, componentes e bens de capital, informou o Simesp. Além disso, se destaca pela cadeia sucroenergética. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Segundo Paulo Estevam Camargo, presidente da instituição, o impacto deve atingir tanto as empresas exportadoras quanto as que fornecem para o setor sucroenergético e pode comprometer postos de trabalho, a arrecadação dos municípios e estado e o desenvolvimento regional. "Nossa região concentra empresas altamente especializadas no atendimento às usinas de açúcar e etanol. Qualquer redução na competitividade do etanol brasileiro ou retração dos investimentos nesse segmento acaba refletindo diretamente sobre a indústria metalmecânica, que fornece tecnologia, equipamentos e soluções para toda essa cadeia produtiva", observa. Nessa nova tarifa, o governo de Donald Trump deixou de fora itens importantes da exportação brasileira, como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulosa. Na noite de quinta-feira, o governo brasileiro disse que vai anunciar programa de apoio às empresas afetadas e declarou que pode adotar a Lei da Reciprocidade (saiba mais abaixo). 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA Setor de açúcar e etanol reage a tarifa dos EUA e diz que medida de Trump ignora realidade do mercado Plantação de cana na região de Piracicaba Wesley Almeida/ EPTV Carlos Vian, professor e pesquisador do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), afirmou o setor metal-mecânico de Piracicaba e cidades vizinhas surge como um dos mais vulneráveis, arriscando sofrer com a desindustrialização e a perda de postos de trabalho nos próximos meses. "O mercado americano é um destino importante das nossas exportações de produtos. Na economia regional, temos multinacionais americanas que produzem que são exportados para as matrizes, isso pode ter um impacto, uma reorganização dessas cadeias para essas empresas. Às vezes, ao invés de lutar para não ter a tarifa, é mais fácil você realocar a empresa para outras regiões do mundo onde existam filiais e que não tenha esse tipo de processo", explica Vian. Primeiro sindicato patronal do setor metalmecânico do Estado de São Paulo, o Simespi reúne atualmente cerca de 280 empresas associadas Crédito: Igor Mello O impasse comercial O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião bilateral com o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi (não aparece na foto), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 14 de julho de 2026 REUTERS/Evan Vucci A decisão de taxar produtos brasileiros foi anunciada na quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A medida é resultado de uma investigação de um ano. Segundo o governo americano, o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os Estados Unidos. O governo brasileiro nega. Entre os pontos citados pelos EUA estão o sistema de pagamentos Pix, temas ligados às plataformas digitais e a dificuldade de entrada do etanol americano no mercado brasileiro. Ouvidos pelo blog do Valdo Cruz, interlocutores do governo brasileiro apontam que os temas questionados pelos EUA são inegociáveis e consideram que a aplicação da nova tarifa é uma decisão estritamente política. Na noite de quinta-feira, o governo brasileiro afirmou que o tarifaço de Donald Trump atinge 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Disse também que vai anunciar um programa de apoio às empresas afetadas e declarou que pode adotar a lei da reciprocidade. Setor de manutenção de máquinas agrícolas registra números positivos durante a pandemia TV TEM Taxação e eleições Vian teme que a nova taxação seja explorada como ferramenta política em períodos eleitorais, desviando o foco das necessárias negociações técnicas. O especialista defendeu que a solução deve ser conduzida via diplomacia profissional, com discussões técnicas pelo Itamaraty para mitigar os danos econômicos regionais. "Houve uma tentativa de diálogo que aparentemente não foi bem sucedida, mas esperava-se que houvesse uma tentativa de negociação mais ampla [...] um aspecto perigoso, ao meu ver, é talvez a possibilidade de que isso seja usado como conteúdo em um ambiente político, porque isso [taxação] pode virar um argumento para a campanha eleitoral, com as partes discutindo de quem foi a responsabilidade, outras tentando dizer que vão fazer negociações", afirma Vian. O Simesp defendeu a cautela e o diálogo diante do risco de queda nos investimentos e de perda de competitividade. A entidade é contra as medidas de reciprocidade comercial, ou seja, retaliações por parte do governo brasileiro. Segundo o sindicato, uma guerra tarifária só agravaria a situação. "A escalada de medidas retaliatórias tende a aumentar a insegurança nas relações comerciais, elevar custos e dificultar ainda mais o ambiente de negócios. O Brasil deve priorizar a negociação técnica", avalia o presidente do Simespi. Até 20 de dezembro, indústrias da base do Simespi injetarão quase R$ 230 milhões na economia com 13º. Salário Crédito: Divulgação VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba