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'Quem disse que acabou?': escolas de samba e camarote de Milton Cunha fecham Carnaval de Belém na Aldeia Cabana

Milton Cunha reúne artistas para divulgar carnaval de Belém 💃 O “Camarote Miltons” chega à Aldeia Amazônica como uma aposta para recolocar o carnaval...

'Quem disse que acabou?': escolas de samba e camarote de Milton Cunha fecham Carnaval de Belém na Aldeia Cabana
'Quem disse que acabou?': escolas de samba e camarote de Milton Cunha fecham Carnaval de Belém na Aldeia Cabana (Foto: Reprodução)

Milton Cunha reúne artistas para divulgar carnaval de Belém 💃 O “Camarote Miltons” chega à Aldeia Amazônica como uma aposta para recolocar o carnaval de Belém no radar nacional, reunindo oito personalidades famosas, entre artistas e nomes ligados ao samba, para divulgar as escolas de samba da capital paraense. Os desfiles do Grupo Especial ocorrem nos 27 e 28 de fevereiro no local historicamente conhecido como "Aldeia Cabana". Segundo o comentarista de carnaval e carnavalesco Milton Cunha, a proposta é dar vitrine às comunidades da periferia que constroem o desfile, com fotos e vídeos circulando em sites e redes sociais de alcance nacional e internacional. ​Milton disse, em entrevista ao Jornal Liberal 1ª Edição nesta quinta-feira (26), que o foco agora é das escolas de samba, depois da maratona de blocos e bailes. São oito agremiações na avenida, quatro na sexta e quatro no sábado, com desfiles a partir das 21h na Aldeia Amazônica (Aldeia Cabana). “O camarote serve para dar visibilidade nacional e internacional para as comunidades”, diz ele, ao lembrar que o público precisa aplaudir baianas, bateria, mestres e toda a cadeia criativa que faz o espetáculo acontecer. Entre os convidados do camarote estão o mestre de bateria Ciça, campeão do carnaval do Rio de Janeiro; e o ator Samuel de Assis, que está no ar em novela da TV, além de uma sambista da Beija-Flor de Nilópolis, reforçando a ponte entre o samba carioca e o paraense. Milton destacou que trazer “artista popular do Rio” ajuda a “engrossar o caldo do artista popular paraense”, ampliando a repercussão do carnaval da Amazônia. ​Memória afetiva, agenda internacional e orgulho paraense ✨ Milton Cunha Divulgação Recebido em um hotel às margens da Baía do Guajará, Milton Cunha falou ao vivo ao JL1 sobre a emoção de voltar à cidade onde cresceu, que ele define como festeira e animada. Ele lembra que viveu a época da batalha de confete e dos grandes blocos na Presidente Vargas e na Praça da República, nos anos 1970, quando o carnaval de rua era “um babado fortíssimo” em Belém. O carnavalesco conta que saiu de Belém para o Rio de Janeiro em 1982, quando as escolas de samba da capital paraense já realizavam concursos “enormes” e com forte participação popular. Hoje, ele vê uma fase de retomada, puxada pela Liga das Escolas de Samba (ESA), com esforço de organização, divulgação e parcerias para recolocar o carnaval de Belém em posição de destaque. ​A agenda de Milton é de maratona: depois de Belém, ele segue para Cannes, na França, onde fará show, mas insiste em destacar a importância de observar como cada cidade se apropria da linguagem do carnaval (alas, carros alegóricos, comissões de frente) para contar as suas próprias histórias. “Se você for ver os oito enredos, você forma um painel sobre a cultura de Belém”, afirma, citando personalidades, lendas e a geografia do Pará como matéria-prima dos desfiles. Ensaios técnicos, público e arquibancadas esgotadas 🎺 Escolas de samba de Belém se preparam para desfiles do Grupo Especial Na véspera dos desfiles, a Aldeia Amazônica virou laboratório a céu aberto para ajustes finos de som, iluminação e organização das escolas na avenida, durante o ensaio técnico. A etapa é considerada essencial para que cada detalhe funcione na hora do desfile oficial, da entrada das alas ao desempenho da bateria. Muitas pessoas foram à Aldeia Amazônica para sentir uma prévia da festa, transformando o ensaio em aquecimento para os dois dias de apresentações do grupo especial, que desfilam na sexta e no sábado, a partir das 22h. A procura do público foi tanta que os ingressos para as arquibancadas já estão esgotados. Para Milton, ver os ensaios na Aldeia Cabana tem um significado simbólico, pois "o espaço remete à Cabanagem e o inspira a reforçar a ideia de que “o poder é do povo”. Ele destaca ainda que carnavalescos, artesãos que fazem fantasias e alegorias e dançarinos de comissão de frente são todos locais, dando ao desfile uma identidade própria de Belém. Barracões em contagem regressiva Nos barracões, o clima é de reta final e de reafirmação da identidade do carnaval de Belém. A escola de samba “Quem São Eles”, campeã do ano passado com um enredo sobre a floresta, agora aposta na água como fio condutor para tentar o bicampeonato. O enredo “A Odisseia da Navegação” conta uma aventura que percorre diferentes momentos da história, trazendo personagens icônicos como Poseidon e Iemanjá, já conhecidos do grande público. Segundo o responsável pelo enredo, Jamil, a narrativa começa na civilização fenícia, berço de exímios navegadores, passa pela ancestralidade negra e indígena e desemboca na Amazônia, exaltando o serviço da praticagem, considerado fundamental para o desenvolvimento da região. A “Quem São Eles” será a terceira escola a desfilar no sábado, na Aldeia Amazônica, com três carros alegóricos e mais de 1.800 brincantes distribuídos em 12 alas. A proposta é unir grandiosidade visual e enredo com forte ligação com o território amazônico, reforçando a imagem da escola como uma das forças do grupo especial. No barracão da Acadêmicos da Pedreira, os destaques são os adereços, muitos ainda em fase final de confecção, em um ambiente de trabalho intenso até os últimos instantes. A escola leva para a avenida sete alas e mantém em segredo o enredo, que gira em torno de uma pergunta-provocação para quem acha que o “bom e velho carnaval de Belém” ficou nos anos 1980: “Quem disse que acabou?”. O carnavalesco da Pedreira explica que o tema responde diretamente àqueles que anunciam, ano após ano, o fim da festa. “Pra gente, uma festa só acaba para quem não vai mais pra festa”, afirma, destacando que, enquanto houver povo, costureira, aderecista, artista e “gente louca pra se reunir e fazer carnaval”, o desfile vai continuar existindo. ​As alas da Acadêmicos da Pedreira prestam homenagens aos trabalhadores que mantêm viva essa tradição, reunindo mais de 1.100 pessoas que ajudam a construir a escola com alegria. A narrativa se volta para os bastidores, dando protagonismo a quem costura, cola, pinta e cria as fantasias que o público vê prontas na avenida. Orgulho amazônico 🌈 Para Milton Cunha, o carnaval de Belém hoje é um exemplo de justiça cultural na Amazônia, porque dá espaço ao “artista periférico” que tem dificuldade de conseguir vitrine durante o ano. Ele lembra que os desfiles reúnem escultores, pintores, compositores, ritmistas e dançarinos, formando uma cadeia criativa que movimenta economia, autoestima e identidade das comunidades. O comentarista disse que a cidade vive um momento de projeção, que ele define como uma fase em que Belém está “em moda”, “poderosa” e “vivendo a sua glória”, e que nada combina mais com esse cenário do que um carnaval forte, organizado e conectado com a cultura popular. Ao chamar atenção de nomes conhecidos e atrair câmeras e holofotes para o camarote, a estratégia é clara: dizer ao Brasil “dá uma olhada em Belém do Pará”.